POR Jazz.pt, Portugal, Rui Eduardo Paes (jun.2005)

O trombonista habitual de Enrico Rava assina um disco em que o free jazz surge com a energia do rock, facto a que não são estranhos o vigor e a precisão mátrica de Francesco Sotgiu, o homem que segura as baquetas (desmentindo quantos pensam que a irregularidade dos tempos convida a uma menor atenção às pulsações e a um enfoque exclusivo num trabalho de tricotagem percussiva), bem como o pouco convencional sentido ritmico do inglês Paul Rogers, cujo percurso tem sido feito, sobretudo, na àrea da livre improvisação. Esta á uma musica compacta, dura e muito objectiva na sua forma de enunciação, mesmo quando tenta algum lirismo ou passa por situações de acento melodico. Par tal contribui igualmente a combinação como instrumentos solistas de dois sopros de registro grave, ao trombone de Petrella associando-se o saxofone baritono de Javier Girotto, um e outro recorrendo frequentes vezes ao unissono ou ao contraponto. Em Araucanos, o mesmo Girotto, italiano de ascendência argentina, abre o painel de tibres escolhido com a quena, uma flauta tradicional dos Andes, trocando-a mais adiante por um sax soprano mutante que mais parece um launedas da Sardenha. No geral, pressente-se a influência de Gerry Mulligan e do bop dos anos 1950 (Charles Mingus), mas á ao mentor da Arkestra que se alude directamente em Ra, três nomes conhecidos pelos seus particulares conceitos orquestrais, o que denota a preocupação de Gianluca Petrella pelo factor grupo.